Gostaria de falar sobre um assunto muito discutido em nossa sociedade: a depressão. Todos já ouviram alguma coisa a respeito dela, seja na TV, seja em conversas entre amigos, seja em palestras, etc. Mas, afinal de contas, o que é depressão? Falar sobre esse assunto não é simples, embora o tema seja tão debatido. Por isso mesmo. Tanto debate levou à banalização da doença, tornando-se comum ouvirmos expressões do tipo “estou deprimido”, “fulano tem depressão”.
Em primeiro lugar, gostaria de diferenciar tristeza de depressão. A primeira é um estado normal e transitório, inerente à condição humana, ou seja, todos nós experimentamos em algum momento de nossas vidas o sentimento de tristeza. É comum as pessoas dizerem que estão com depressão quando na verdade estão tristes. A tristeza faz parte da depressão, mas nem toda tristeza significa depressão.
Depressão é uma doença psiquiátrica, com um quadro clínico bem preciso e que engloba aspectos físicos, emocionais, neurovegetativos e sociais. Segundo estimativas da OMS, a depressão é a doença mais diagnosticada atualmente. A prevalência é de 2,3% para o sexo masculino e de 4,5 a 9,3% para o sexo feminino. Ou seja, as mulheres são três vezes mais vulneráveis a vivenciarem um estado deprimido do que os homens.
As causas da depressão são múltiplas. Do ponto de vista fisiológico, há uma queda nos níveis de determinadas substâncias cerebrais (serotonina, dopamina e noradrenalina) responsáveis pelo equílibrio emocional. Do ponto de vista psicológico, crenças distorcidas, sentimentos autodepreciativos, raiva, culpa, tristeza fazem parte da vida do deprimido.
O tratamento para esta doença está muito avançado e abrange tanto o aspecto fisiológico quanto o emocional. Pesquisas indicam que a combinação entre psicoterapia e medicação tem bons resultados. Os chamados psicofármacos fazem parte de um tratamento específico e não devem ser ministrados sem acompanhamento médico adequado e também não devem ser a única forma de tratamento. O acompanhamento ideal é aquele que envolve os aspectos psicológicos (psicoterapia) e os aspectos fisiológicos (medicação).
Cuide da sua sáude mental!
Lívia Farias
Psicóloga e membro da PIBJF