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Publicado em 06/07/2010

Etiqueta.jpgPor mais curioso que possa parecer, na pré- história, quando os seres humanos viviam em pequenos bandos, e o encontro com estranhos era ocorrência rara, a fofoca favoreceu a sobrevivência de nossa espécie, coibindo comportamentos que pudessem enfraquecer o grupo. Tal favorecimento deu-se pela identificação de “enganadores: sutis e flagrantes”. Quem afirma isso é a ciência, através de seus pesquisadores, segundo os quais “fofocar é uma função social útil para criar vínculos entre os indivíduos. Uma estratégia usada por indivíduos na promoção dos próprios interesses egoístas e reputação à custa do desconforto alheio. Há os que recorrem descaradamente aos boatos para se favorecer – os ditos fofoqueiros de plantão”.

Etimologicamente, boato – do latim boatus, significa mugido ou berro de boi, uma metáfora para definir um som sem veracidade, com expansão rápida. No dicionário, há definições como “noticia anônima, intriga, falsidade maldosamente espalhada, mexerico.

Qualitativamente, fofoca é parecida onde quer que ocorra, independente do grupo social. Mesmo que todo mundo pareça detestar “fofoqueiros”, e poucas pessoas usem esse rótulo para descrever a si próprios, é extremamente raro alguém se afastar de uma “ picante história” de um dos seus conhecidos. De certo, você já teve a oportunidade de vivenciar o quanto é difícil manter em segredo uma notícia “espetacular” sobre alguém. Experimentamos a Era dos Reality Shows, recordes em audiências, com telespectadores ávidos, assíduos e polêmicos comentaristas da miséria humana. A mídia em geral, pauta-se, na vida individual, coletiva e social de ícones, celebridades, autoridades e líderes, na especulação minuciosa de surpreendentemente obter um “fato” que gere comentários. Não casualmente, as revistas que revelam aspectos da vida pessoal dos famosos fazem tanto sucesso – ainda que muitos dos seus leitores não se orgulhem desse hábito.

O incrível é detectar que o que mais chama a atenção dos grupos sociais, são “novidades negativas” – infortúnios e escândalos sobre pessoas publicamente reconhecidas, rivais potenciais ou pessoas de condição social superior, fazendo com que internamente vanglorie-se da melhor sorte. Já as informações negativas sobre aqueles de status social inferior, não são tão úteis ou “interessantes”. Notícias positivas são pouco atraentes. O fato é que os rumores, mesmo e principalmente infundados, são poderosos: plantam dúvidas sobre o caráter das pessoas e causam o aumento ou a queda da bolsa de valores. Presente em obras literárias como fio condutor para enredos, a “indústria do boato” movimenta um mercado de milhões, aguçando homens e mulheres das mais diversas idades, crenças e etnias. Para cada “boca aberta” que partilham informações sobre o ausente de modo difamador , há um “ouvido atento” desejoso de julgamentos morais. Adoraríamos fugir dessa castração psíquica chamada fofoca, mas tornou-se inevitável. Como cristãos, somos diariamente desafiados a evitar imiscuir-nos na vida do alheio, buscando ao menos por mais um dia inteirarmos sobre Deus, que com veemência dizemos amar e como ignorantes demonstramos conhecer.

 

Por Weverton Soares



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