Espelho, espelho meu...
Li esta semana que as brasileiras estão insatisfeitas com o próprio corpo. Surpreso? Nem eu. Não são necessárias pesquisas e mais pesquisas para que todas nós saibamos disso. Diga-me, você conhece alguém que está totalmente satisfeito com o próprio corpo? Eu, sinceramente, não conheço. Mesmo aqueles que gastam horas do seu dia em academias e clínicas de estética, o fazem pela simples motivação de modificar alguma coisa na aparência. Há aqueles que se justificam dizendo que o fazem para cuidar da saúde. Tudo bem, posso abrir esta exceção, mas, lá no fundo, ainda acredito na preocupação com a estética. Pergunte a algumas pessoas próximas a você se elas estão satisfeitas com a própria aparência, e você irá constatar que o que estou falando não é tão absurdo assim.
A preocupação com a autoimagem remonta à Antiguidade. O mito de Narciso é um exemplo disso. Narciso era uma criança tão linda e admirada que sua mãe, preocupada com esse excesso, levou-o até o sábio Tirésias. Ele lhe disse que o menino só teria vida longa se jamais visse sua própria imagem. Na adolescência, Narciso, belo e soberbo, atraiu o amor da jovem Eco, para quem ele nunca dera atenção e tampouco correspondera às suas investidas. Um dia, cansado da caminhada, ele foi refrescar-se num lago de águas cristalinas. Ao ver sua imagem refletida, enlouqueceu de amor pelo próprio reflexo e não desejou mais nada além de ir ao encontro de si mesmo. Seu destino, então, se concretiza: mergulha no espelho e desaparece.
Este é um exemplo de alguém voltado demasiadamente para sua aparência. Na atualidade, essa preocupação se reflete na insatisfação com o próprio corpo e a busca incessante pela beleza. Nosso corpo tem uma relação íntima com nosso interior, na medida em que, se não há um equilíbrio entre eles, surge o sofrimento. A Bíblia nos fala sobre isso em Provérbios 15:13 “o coração alegre aformoseia o rosto” e em Provérbios 17:22 “o espírito abatido faz secar os ossos”.
Não estamos isentos à influência da nossa cultura sobre o comportamento. Nós cristãos, e principalmente as mulheres cristãs, somos bombardeados pela ditadura da beleza, do corpo escultural e da magreza. Isso é extremamente perigoso. A preocupação excessiva pode levar a sofrimentos como depressão, ansiedade e até mesmo às doenças, como bulimia, anorexia e dismorfia corporal (distorção patológica da imagem corporal).
A dica que podemos dar é: cuide de seu corpo, como templo do Espírito Santo, cuide de sua aparência, como sinal de auto-estima, mas nunca se torne escravo daquilo que dizem que é belo. A verdadeira beleza que irradia do interior para o exterior é aquela produzida pela intimidade com Deus.
Até mais!
Lívia Farias dos Santos - Psicóloga
18/09/09